
- Eu daqui vejo a minha escola!
Depois comeu mais um biscoito e não pensou mais no assunto. Simples não é?








P.S. – Trabalho num 11º andar com uma longa vista sobre Lisboa. Não costumo olhar muito lá para fora, embrenhado nos afazeres que não me deixam mais tempo para observar. Na semana passada parei por um momento e olhei para o horizonte, para me espantar. Quase no final, cortando a linha final imaginária, erguia-se uma Catedral. Na verdade apenas conseguia ver a sua silhueta, mas não tenho dívidas do que vi. Naquela zona da cidade não existem estruturas ou edifícios com aquela altura e silhueta. Portanto, apesar do que me possam argumentar, era mesmo uma Catedral. Ali ficou durante todo o dia, por vezes mais escondida na neblina, que depois se espalhava esborratando a paisagem. De repente pareceu-me ainda maior, como que se as suas torres se esticassem em direcção ao céu em que quase tocavam. No dia seguinte continuava no mesmo local e será sempre a minha inspiração e o refúgio de dias demasiado normais.




Deixem-me partilhar um pedacinho de mim. Se não existisse este senhor o Duende não seria tão feliz. Se não conhecesse esta música as palavras não teriam nascido da mesma forma. Com versos emprestados, levou-me a uma magia que ainda hoje me arrepia. Queria ter mais tempo para a ela voltar. Para continuar a fugir dos demónios pela música e pela escrita. Mas o novo ano está a chegar…
Feliz 2008!!


Desculpem-me que vos traga o passado uma vez mais. Não por viver virado para trás, mas porque a memória de sensações me encanta, ao reconhecer uma simplicidade mágica que se vai perdendo. Gostava que cada um de vós pudesse ver o filme que partilha o nome com este post – An affair to remember. Penso que apareceu em 1957, no auge da carreira de um incontornável Cary Grant, acompanhado pela lindíssima Deborah Kerr, talvez com uma beleza mais discreta que algumas das estrelas da altura, mas de uma intensidade serena que nos desarma por completo. Tenho ideia de o ter visto por mais que uma vez em criança, recordando o pormenor do encontro marcado para o último andar do Empire State Building.
Já perto da idade adulta vi-o novamente, numa noite de canal dois, então com outros olhos, outro entendimento, por fim o sentir de cada cena com a magia que delas nascia.
Mais tarde consegui finalmente encontrar o DVD e trazê-lo para casa, bem seguro contra o peito, ainda sem acreditar. Ontem por acaso, enquanto trocava de canais, encontrei-o já na fase final. E ali fiquei enamorado a ver, perdido em sorrisos.
Fico sempre fascinado pelos diálogos, aparentemente simples e no fundo tão cheios de emoções, por vezes sem serem faladas. Cada expressão, baixar de olhos, para depois seguirem com intenção, são oferecidos com uma cumplicidade e exemplo supremo de uma empatia a que só podemos aspirar. Há uns anos realizaram um remake que me recuso a ver, por respeito e fidelidade à obra original.
Gostava que me fizessem companhia nesta descoberta, sonhando com um amor assim...
Basta estar com atenção. Ou então sou eu! É comigo que os momentos mágicos continuam a acontecer. Em qualquer início de noite sereno, sinto que há imagens que nasceram apenas para mim. Esta foto foi tirada em Lisboa, perto de Sete Rios, enquanto conduzia. Só tive um segundo…