terça-feira, julho 29, 2014

(Des)larguem-me... II ou não...

É muito raro comentar o que escrevi. Assumo alguma falta de simplicidade na forma e dou-lhe liberdade, à "pena", para falar. Mas tenho consciência que por vezes exegero e por isso abro uma exceção.
No meu último post, pode não ter ficado claro, mas a minha (vá lá) irritação era com outras redes, principalmente o Facebook. É verdade que os conteúdos e as partilhas podem ser bons ou maus, seja qual for o meio. E mesmo o conceito de bom e mau pode ser alvo de alguma subjetividade. Mas a experiência (a minha experiência) diz-me que em média os blogs são melhores que o Facebook. Pelo que lá se coloca, claro está, mas também muito pelo ambiente, pelo registo, pela própria natureza dos mesmos, que se prestam a uma realidade mais verdadeira mesmo, como já referi, quando nos deixamos ir pela imaginação.

Por isso, à medida que cresce o meu desancanto pelo Facebook e outros, renasce a satisfação por voltar a este meu cantinho e aos vossos, que vou reecontrando ou descobrindo.

domingo, julho 27, 2014

(Des)larguem-me...

Não vos aguento. (Des)larguem-me! Não quero saber das vossas férias, dos vossos gatos, do que foi o jantar, do que foi o almoço, dos vossos gatos, dos vossos filhos, das citações, dos jantares, do artesanato, das opiniões, das banalidades, sim das banalidades de tudo e nada que colam no ecrã, que só tem “vida” porque existem uma e outra rede que permitem essa existência sem substância.
Chamam-lhes redes sociais pela capilaridade, acho eu, pela possibilidade de nos ligarmos uns aos outros. Mas isso não acontece. Acontece? Um indivíduo médio não se liga a quem já conhece, mesmo que de raspão? A brutalidade de uma aparente transparência torna a realidade lenta, “emperrada”, incapaz de se mostrar nua, de arriscar. E como alguém notava um dia destes, em plena e constante felicidade, como atestam as fotos e as línguas de fora e as fotos com as línguas de fora. Não é estranho? Onde estão as mensagens de desespero, de medo, de tristeza? Onde está um post onde alguém mostra uma foto com cara de choro e confessa uma qualquer desgraça? Nada. Ou quase nada, num mar de perfeição maquilhada e cirurgias plásticas da psique.

E os blogs? Sim, os blogs. Por tudo isto as saudades, a preferência. Posso generalizar? Posso, com os riscos assumidos de tal opção. Sim, tinha saudades. Porque a verdade é outra. A densidade também. Num mundo que parece escondido, sem fotos e até nomes de identidade. Num território perfeito para a maior das mentiras (e talvez por isso mesmo), nasce a sinceridade mais profunda, a coerência com o que se sente, com o que se pensa, com a realidade, mesmo que imaginada. Sim, há pertença e empatias e zangas, desilusões e risos, ilusões e fascínio. Há vida.

quarta-feira, julho 23, 2014

Virginia...

Já era fascinado por ela antes de a conhecer, a sua história claro. A sua escrita. Parecia-me um quadro escuro, daqueles que nos puxam e afastam o olhar. Como seria Virginia Woolf na realidade, ouvida, vista, sentida? O seu fim é um pedaço de poesia, uma metáfora imensa, de cores outonais e água fria. Entendem?
Início de julho. Um dia acinzentado, o calor que não chega na sua plenitude. A esplanada é sobranceira ao mar, à pequena praia quase sem areia. Por meio de conversa e uma bebida quase não reparo nela. Eram poucos os que se descalçavam para esmagar grãos de areia que nem deviam estar muito quentes. Ela sentou-se perto da água, muito perto do limite médio das ondas, do espaço que iam molhando. Tudo isto eu não via de forma muito consciente. Devia ir notando pelo canto do olho, memorizando a cena, como se esperasse algo. De repente, a rapariga deita-se para trás, pernas estendidas para a frente, braços esticados ao lado do corpo, os pés a meros centímetros da última onda. Estava vestida. Tinha umas calças escuras e uma camisola sem mangas, descobrindo os ombros e o colo. Ali ficou, sem se importar, nem com a primeira água que a encharcou até meio do corpo e a segunda que se estendeu como um lençol onde parecia estar deitada. A estranheza invadiu a praia. Os nadadores salvadores esboçaram uma reação, hesitaram. Nós olhámos, comentámos, até rimos. Ela não estava ali. Demorou mais um pouco até se levantar e avançar mar a dentro, só um pouco, até à cintura. Veio-me de novo Virginia, enquanto ela fazia meias-luas com os dedos na água, como se dançasse.

Por fim voltou à areia, renovada, cheia de água e sal, calma, com movimentos lentos. Pegou na pequena mala e nos sapatos, que deixara a salvo um pouco mais a cima. Nunca olhou para o lado e abandonou a praia. Só me ocorre o rio, a coragem de terminar a história. Só me ocorre Virginia.


segunda-feira, julho 14, 2014

... (de um silêncio)

Por onde é que eu começo? Pela anarquia do pensamento, ainda sem ideia formada? Pela metodologia recente, a que me obrigo a aderir, que me afasta (talvez) de um mundo demasiado estranho até para mim?
Hoje sonhei e acordei e voltei a fazê-lo. Um a seguir ao outro, cada vez mais escuros, mas não perigosos, quero acreditar. Acordo com a sensação de limpeza, de que o cérebro lavou as ligações e empurrou para o lixo o inconsciente que de dia não quis nem poderia entender. E cansado mas limpo acordei. Recebi sol e água fria. Conversa e reencontros.

Ainda falta. Ainda não volto em plenitude de técnica e conteúdo. Mas é um início. Honesto, com boas possibilidades de ser dedicado. E sem me importar (por enquanto), com o que vai sair. São letras...?

sábado, julho 12, 2014

O regresso...

Perguntaram-me - Tens um blog? Parecia antiga, a questão. Já não se ouve como antes. Respondi que sim, quer dizer, que tinha, ou vou tendo...

Mas claro que tenho. E agora é tempo de regressar.