domingo, outubro 20, 2013

Under the moon.

Se nunca viste um peito adolescente, prateado pela luz da lua... volta para trás. Se não te recordas do cheiro dela, do aroma que ainda hoje parece colado às tuas mãos, de um creme primaveril, misturado com os dezasseis anos... tenta viver de novo, porque nada terá valido a pena. Como a recordação das aventuras com os amigos, os joelhos rasgados, as feridas a arderem com o pó e o suor, a memória dela nunca te abandonará. Se não a tiveres, talvez não estejas a fazer cá mais nada. A tua vida podia acabar agora, porque nunca vais saber como é, nunca vais entender. Eu tive sorte. Ainda me lembro de subir a rua inclinada, com ela ao meu lado, de mãos dadas. Tinha um vestido fresco, quando vocês só usavam calças e camisas fechadas até cima. Cheirava bem, adormecia-me os sentidos, simplificava a vida, obrigava-a a passar mais devagar. Não havia mais nada do que aquele dia, aquela semana. Se pudesse ter cristalizado a sensação tão primária, sem procura de significados... E do cheiro claro, que passou das mãos dela para as minhas, que à noite ainda sentia, que hoje ainda percebo na memória. Não sei se era o vestido às flores ou o azul claro. Esse nem tenho a certeza de existir. Só guardei o aroma. Hoje vocês já não cheiram assim. Desculpem, mas é verdade. São demasiadas fórmulas, químicas sofisticadas, com mil e uma funções, mas incapazes de guardar uma essência, de gerar uma memória. Como a minha. Voltem para trás!