terça-feira, agosto 26, 2008

O aniversário...


Vou fazer trinta e seis anos no final do mês de Setembro! Não que me incomode o facto por si. Não me sinto com essa idade, não aparento essa idade e a cima de tudo não me importo com esse facto. Passam quase vinte anos dos meus dezasseis, ano inesquecível pela felicidade que representou e a paz que voltaria muito tempo a voltar a alcançar. Sei que vou ser um miúdo até morrer, um velhinho de espirito muito jovem, se lá chegar. Mas tenho pensado mais na idade do que é normal. Não foi um ano fácil. Em alguns aspectos fui-me abaixo e apesar das felicidades que me ajudaram a recuperar, senti literalmente no físico as dificuldades. Quando não estamos bem, não temos a disponibilidade do costume, e lá perdemos um pouco da forma. Comecei a notar isso em pequenos pormenores. Na perca de alguma massa muscular, no maior cansaço e vontade de dormir. No olhar desconfiado, quando uma rapariga do ginásio consegue fazer mais flexões que eu! Eu bem sei que elas andam por lá todos os dias e eu tenho uma profissão exigente que não me deixa tempo para tal. Bem sei que estou em melhor forma que a maioria dos meus amigos. Mas não deixo de ficar ligeiramente frustado. Mas por pouco tempo. Porque sei que no fundo não são estas coisas as mais importantes. E por ser apenas uma fase que vou ultrapassar. No início de Setembro volto a treinar com mais empenho. Tenho que nadar por causa das costas, mas de resto vou recuperar a forma antiga, tonificar músculos e espirito como se voltasse aos tais dezasseis. E no fundo esperar que o ano seja calmo, cheio de conquistas, com a maior delas materializada na serenidade que procuro e anseio. E quando a fase descendente das capacidades físicas chegar, quando não tiver dúvidas que já não consigo melhorar o meu corpo, aceitarei com normalidade essa inevitabilidade. E remeto para a mente o crescimento que poderei sempre desejar.

P.S. – Nas minhas férias aconteceu uma pitoresca e humilhante situação que me motivaram a escrever este texto. Eu tinha a mania de dar saltos mortais para dentro da piscina. Em terra firme não me atrevia, mas com a água não me safava mal. Tem sido assim todos os anos. Ora, apesar de não estar no meu melhor, resolvi tentar também este ano. Na primeira vez aterrei quase de costas, mas sem estragos de maior. Foi então que notei que a piscina tinha uma zona de rocha elevada que me permitiria saltar como se de um trampolim se tratasse. Não sei o que me passou pela cabeça. Pensei que a altura me daria tempo para rodar completamente e aterrar de pés. Mas não! Não só caí de costas, como a altura fez com que tal acontecesse com estrondo e uma dor profunda nas costas, que quase rasgavam com o chapão. A estupidez e o despeito impulsionaram-me para repetir o feito, com os mesmíssimos resultados. Acho que me ri, para não chorar de tantas dores. Para o ano há mais.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Decotes e a natação...


Será provavelmente um post carregado de símbolos de índole masculina e acusações de algum machismo, que talvez o registo de memórias possa atenuar. Então aqui vai (isto vai arruinar a minha reputação). Após uma casual análise, descontraída e desprovida de qualquer ciência, concluí que hoje em dia as raparigas usam mais soutien do que quando eu era adolescente. Naqueles tempos, porventura ainda em ressaca dos anos de emancipação, muitas mulheres optavam por não espartilhar o seu corpo, dando largas à liberdade e à imaginação do sexo oposto. E como é que eu sei isto? Porque o meu irmão era o maior especialista mundial em observar os seios alheios. A sua técnica era fabulosa. Esperava por instantes de oportunidade, aproveitando decotes e mangas cavas e, para minha grande inveja, vislumbrava o prémio materializado na visão tanto desejada. E eu ali ficava a ver passar intenções nada nobres e não conseguidas. Lembro-me de uma situação particularmente hilariante, vista à distância. Com catorze anos tive uma namorada com dezassete. Ela era alta, vistosa e parecia ainda mais velha, sendo até hoje um mistério o que ela viu em mim de tão tenra idade. Um dia, enquanto esperavamos pelo início da aula de ginástica, enquanto eu conversava com a minha namorada, o meu irmão e os amigos manobravam em nosso redor, com um único objectivo. Espreitar para dentro do seu decote. Mais tarde confessou-me que tiveram sucesso. Confesso eu que conseguiram mais do que eu que era o namorado.

P.S. – Após muitos anos a fazer desporto fui atacado por uma inesperada dor de costas que, depois de tentar os canais tradicionais, me levou ao conhecimento de um médico que me torce e aperta e faz estalar tudo o que é vértebra. É fantástico! Mas ao que parece o corpo tem memória e para que os músculos não forcem a coluna para maus caminhos, tenho que passar a fazer natação. Tal obrigação aborrece-me pela repetição de movimentos e a infindável contagem de azulejos, capazes de me desmoralizar. Um dia destes, andava eu literalmente a fazer piscinas, quando parei para descansar um pouco numa das pontas (note-se que eu nado nos horários livres sem direito a aulas). Senti então alguém bater-me no ombro para me chamar. Tirei os óculos e olhei para cima, para uma professora vestida de cor de laranja. Sem grandes avisos disparou.
- Tu não nadas nada!
Fiquei um pouco atordoado e só consegui responder.
- Não estou nos meus dias.



terça-feira, agosto 05, 2008

O odor a pão...


De repente cheirava-me a pão. Começou logo de manhã mal pus um pé na rua. Acabado de fazer preenchia-me de impulso e sensações, mas não me podia acalmar. Em condição de Duende a renascer sentia o corte no braço, auto-inflingido com adaga de fio torto e ferrugento. Nem sei porque o fiz. Percebia que tinha de sangrar, de me tornar horrível e dificil de se olhar. Tinha de voltar atrás a um registo onde não passara, saltando directamente para o brilho e a paz. Roubei as armas a um miúdo que passava por ali. Vinha da escola a rir, como se eu não o pudesse afrontar. Era muito mais pequeno que eu, esforçando-se nos pontapés e gritos de raiva. De nada lhe valeu. Tirei-lhe tudo, enquanto a amiguinha fugia para trás de uma árvore e senhora de cabelo pintado abria a boca de espanto. Afinal não percebia nada. Depois desatei a correr em desalinho, arrumando outra lâmina que cortava mal, bastante pior. Não havia era ninguém para combater, por enquanto. Mas vou estar atento. Continuava a cheirar a pão.