terça-feira, fevereiro 27, 2007

Uma estória de amor...

Normalmente evito conversas que não desejo. Das que nos fazem desejar desaparecer em vez de envergonhar, numa atenção que nos vai escapando...
Cheguei cedo ao cinema Londres no último fim-de-semana, por ter visto mal as horas. Esperava encostado a uma parede, semi-sentado por baixo de um cartaz com luzes, quando a vi a descer. Uma senhora muito bem arranjada e de alguma idade descia as escadas com dificuldade. Não consegui ficar parado sem ir em seu auxílio. Os braços cruzaram-se num obrigado de alívio.
- Obrigado meu jovem. Eu tenho dificuldade em ver...
No final, desembaraçada dos degraus, dirigiu-se à bilheteira e voltou em seguida para perto de mim. Deve ter adivinhado o meu espanto porque explicou com um sorriso.
- Vejo mal ao perto. Mas consigo acompanhar bem os filmes. Às vezes lá escapa uma legenda ou outra, mas vou percebendo... vou percebendo.
Antes que percebesse, o seu braço já estava de novo poisado no meu.
- Sabe, antes vinha sempre com o meu marido. Foi assim que nos conhecemos.
- No cinema?
- Sim. Um dia, enquanto espreitava para ver que filme tinha estreado, demorei-me a ler um panfleto de muitas cores, desenhado à mão... Então, um rapaz muito alto começou a andar na minha direcção. Falou com a voz a tremer.
- Peço desculpa, mas tenho um bilhete a mais para o filme. Posso convidá-la a fazer-me companhia?
- Depois corou um pouco. Corámos os dois. Eu disse que disse que sim baixando um pouco o olhar. Tremia tanto.
Entrámos na sala que estava quase vazia e ele convidou-me a sentar. Antes que as luzes se apagassem perguntei-lhe.
- Porque tem dois bilhetes?
Ele olhou para mim de forma sincera e respondeu sem medo.
- Porque os comprei...

Tinhamos bilhetes para salas diferentes e o meu filme estava prestes a começar. Despedi-me com um aperto de mão e afastei-me um pouco.
Olhei para trás e vi a senhora a abrir a carteira, procurando algo. Não resisti e voltei para trás. Quando me viu, pediu-me a mão para me mostrar um pedaço de papel muito antigo. Era um bilhete de cinema onde ainda se lia com facilidade um nome – "Rome Adventure".

Demorei dois dias e muitas horas frente ao ecran... Isto foi o que encontrei. Espero que gostem.







domingo, fevereiro 25, 2007

A conclusão II...

Afinal não percebi nada. E por estranho que pareça é o aceitar desta incapacidade de prever que me tranquiliza. Porque tudo pode acontecer. Porque tudo ainda vai acontecer (mesmo que não aconteça). Eu disse que gostava de raparigas bonitas!!! Tolo, absurdamente tolo, é como me vejo. A beleza é tão impossível de definir. E quando uns olhos ternos que escapam a qualquer classificação me derretem... Então entendo o que espero. Aguardo apenas o que me estiver destinado. Um abraço que me dê a certeza de que são aqueles os braços que me envolverão até ao fim. E vou ter forças para não me contentar com menos que isso! Vou mesmo!


Escrito sob a influência de álcool (embora pouco) e a ouvir Bob Marley...

Cheguei a casa! A noite foi agradável, embora curta, por cansaço dos meus pares, pouco motivados para ver o sol nascer. Havia quem estivesse nostálgico, apagando em memórias que lhe fazem mal, sem capacidade para largar o passado (doloroso). Havia quem não se afastasse de um registo sempre constante, que não manifesta muito, mas é simpático e por tal não motiva comportamentos de grande intensidade. Alguém também estava normal, amigo e leal, como sempre. De comportamentos onde crescem as grandes amizades. E depois os dedos... Não consegui deixar de reparar como os dedos dela são compridos, elegantes e chamando o toque. Humm... Não me posso deixar levar apenas por singulares pormenores... Terei que alicerçar melhor as minhas observações. Quem sabe...

Até o descobrir...”Give thanks and praises...”

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

A confissão...

Gosto da novela “Páginas da Vida”! Pronto, está dito. Tenho 34 anos e reconheço a paz de não ter que fingir. Na adolescência temos que seguir as modas, escondendo preferências que nos embaraçavam. Depois dos 30 é diferente. Já não importa.
Podia dizer que oiço música alternativa, que vejo cinema independente... Podia mas não o faço. Pode ser que sim...ou não. Pode até ser que passe as minhas tardes de Sábado a sorrir na companhia de comédias românticas. Não importa mesmo.
Gosto desta novela, porque gosto! É como quando nos sentimos atraidos por alguém. Existe sempre algo de pouco racional na forma como nos enamoramos. Só depois pensamos nas razões.

Neste caso na forma serena e despretensiosa como cada episódio troca emoções com a vida. No doce reconhecer de quem apenas parece diferente, escolhendo uma pedagogia suave, normal, para abordar temas que custam a entrar no que abraçamos. Pela minha parte vou tentando ensinar a uma pequenita o que aprendi por mim, lentamente. Se cada um de nós o for tentando...
Talvez me farte, se a narrativa tropeçar nas exigências comerciais. Até lá vai-me fazendo companhia...

«É boa a sensação de partilhar o que me vem à cabeça. Experimentem!»