quarta-feira, abril 05, 2006

Burried...(o fim)

"Termino este blog com o desvendar de um nome que, durante uns meses, foi meu...
Termino com um sorriso...

miak


Se fosse enterrado gostava que fosse no meio de um pântano. Flores de lotus por certo encontrariam o meu gritar, para que pudesse libertar-me...

Há já muito tempo que esperava por este dia. Quando acordaria sem tremer de medo. Deixaria tantos receios em partir e viver só para ti...

Era uma vez um rapaz...mas não um rapaz qualquer! Este era lindo e bravo, capaz de encantar uma bruxa horrorosa.
Ele vivia ignorante sem saber o que fazia, porque teimava em não encontrar tesouros. Sabia que a vida não era assim tão longa, mas que fazer perante um destino em que não se acredita?
Um dia, acordou cedo, bem mais cedo que o Sol, por capricho poético que de tão usado já nem fica bem.
A música era a mesma de sempre por ser imaginada e o banho podia esperar, por preguiça e mais caprichos.
Seu nome era miak, invenção suprema de uma mãe analfabeta abandonada por senhor Oriental, porco frequentador de prostitutas. Que linda ela continuava a ser, sexual e escandalosamente apetitosa em seis punhados de décadas tristes mas bem embaladas.
Margarida era nome bem mais apropriado para a flor escolhida, agora já a murchar mas sempre sorrindo.

- Até logo querida mãe. Como sempre não venho jantar.
- Adeus lindo. Porta-te bem meu querido...ou pelo menos como quiseres.

Correr pela rua continuava a ser um prazer tolo e sem sentido...Vinte anos a fazê-lo formam hábito aplaudido pela vizinhança.
Hoje era dia de ir ter com a bruxa que se aquartelava em albergue distante. Era para ter sido há uma semana, mas outra prostituta levara a melhor. A minha campa podia também ter fotos delas...centenas de meninas comerciantes de sexo que me ensinaram a amar.
A meio da cidade o folêgo já não era brilhante...Não era fumo nem crack, nem o que impedia outros a meu lado de ganhar esta corrida. Era só cansaço. Tinha de parar, e olhar a linda rapariga de olhos negros que dançava junto a mim...
Deviam ser mais sonhos...daqueles que me deixam sorrir, mas não ouso tocar, por medo que desapareçam.
Há ossos mais brancos, mas já sem vida e ela escurecera a pele bem viva para me enfeitiçar. Não posso mais esconder a primeira pessoa de uma confissão que nem dói...apenas vai cortando.
E quando parecia que podia continuar, não o fiz. Agarrei devolvendo abraços. Beijo-te forte para que não esqueças como é o meu sabor. Um leve aroma de loucura crescente que te deixa caída e a murmurar pedidos...
Passam horas até que o horrível Sol se despeça e caia aos trambolhões pelas colinas aí atrás.
Agora sim podia correr de novo. E assim foi.
Saiu fora do corpo e voou até à Bruxa...
Ela estava à espera de negro, o que raramente acontecia. As Bruxas hoje são claras, ruivas ou loiras e pintam muito as unhas...
Talvez fossem cinquenta ou cem pessoas que deixou para trás no final da tarde. Mas era ela que mandava ali e lhe ordenava que entrasse...
O espectro da mãe já adivinhando a morte ia tomando forma rindo, obrigada, numa cadeira muito nova.
O pai mantinha-se prudentemente distante e sem rosto.
- Vieste para morrer não foi?
- Vim para acabar esta vida...
Talvez o incenso ajudasse um pouco, porque a cena nada brilhante seguia com dificuldade. A incerteza de mais razões precipitaram o fim e jaz agora em podre alcatifa...a lenda de miak, amante apaixonado, terminando pior estória mas com olhos serenos...E as flores com medo de pântanos, por aqui ficariam não deixando que fossem enterrados...